domingo, 8 de novembro de 2009

Defensores baianos relatam primeiros dias da Força Nacional em Minas

Após uma semana de trabalhos, a Força Nacional da Defensoria Pública em Execução Penal comemora os primeiros resultados. Apenas nos três primeiros dias, foram analisados 850 processos, sendo realizadas cerca de 1400 petições de benefícios aos internos do Complexo Penitenciário de Ribeirão das Neves em Minas Gerais.

De acordo com o defensor Alexandre Alves de Souza, que participa da iniciativa, o trabalho tem sido muito importante para a comarca. "A situação estava complicada, devido à quantidade de processos e a demora na apreciação dos pedidos", avalia. Os defensores baianos Gil Braga e Mauricio Moitinho também relataram um começo difícil. "No primeiro dia, faltavam muitas informações e documentos, o que dificultava a análise dos processos", revela Gil Braga.

Segundo o balanço inicial, foram encontradas diversas situações irregulares nos processos, como falta de contagem das penas, descumprimento de medidas e ainda a execução de penas incompatíveis com a condenação dos presos. A revisão dos processos revelou que cerca de 50% dos casos analisados podem receber benefícios, como livramentos condicionais, prescrição de penas, progressão de regimes, concessão de indultos, entre outros.

Os defensores baianos integram a equipe voluntária de 42 defensores que atuam na Força Nacional. Segundo Alexandre Alves, "com o esforço individual dos defensores estamos conseguindo um resultado satisfatório", avalia. A expectativa é de que, até a próxima quarta-feira, sejam analisados 3 mil processos.

Experiência - A partir de quarta-feira, os defensores irão visitar os cinco presídios que compõem o complexo penitenciário para atender diretamente os presos. Eles apresentarão aos custodiados um resumo do processo, e as ações ingressadas para a concessão de benefícios, orientando-os sobre os próximos encaminhamentos.

"Participar da Força tem sido uma experiência fantástica, não só por contribuir para melhorar a situação carcerária na região, mas também pela troca de experiência com colegas de outros estados e, principalmente, por mostrar o trabalho que as Defensorias realizam", salienta Gil Braga.

Esta é a primeira missão da Força Nacional da Defensoria Pública em Execução Penal, que atuará em regiões consideradas prioritárias pelo acúmulo de processos e pela superlotação carcerária. Em Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte, os cinco presídios estão com 2 mil presos além da capacidade.

Fonte: Defensoria Pública do Estado da Bahia

Força Nacional da Defensoria Pública solta o primeiro preso em Neves

Os Defensores Públicos Fabiano Bastos, Coordenador de Política Prisional da DPMG, e Rodrigo Duque Estrada, do Rio de Janeiro, Coordenador-Executivo da Força Nacional, quando verificavam o processo de G.S.A., o primeiro detento solto, em meio a atuação da Força Nacional


Defensores da Força Nacional conversam com G.S.A., no momento de sua libertação, na Penitenciária Dutra Ladeira



Defensores da Força Nacional foram à Penitenciária Dutra Ladeira, no final da tarde de sexta-feira (23/10), para acompanhar a soltura de um preso, que estava detido com excesso de prazo. Foi o primeiro detento a ser solto, como conseqüência dos trabalhos que a Força Nacional da Defensoria Pública em Execução Penal desenvolve em Neves desde o dia 19/10.


G.S.A. foi condenado a quatro anos e seis meses de prisão, depois de ser preso em flagrante com 2,5 gramas de cocaína e cerca de R$ 250 reais em dinheiro. Ele recorreu e teve a pena reduzida para um ano, 11 meses e 10 dias de reclusão. O prazo da prisão venceu no dia 02 de outubro e G.S.A. continuava preso, com 21 dias de excesso, estando preso indevidamente, segundo informou o Defensor Público Fabiano Bastos.

A Força Nacional analisou o processo e concluiu que em fevereiro ele já poderia estar livre, em liberdade condicional. Réu primário, ou seja, sem antecedentes criminais e sem fazer parte de facção criminosa, G.S.A., 29 anos de idade, foi solto sob surpresa: “Achei que ia passar o final do ano preso”, comentou no momento em que saia da prisão, carregando pertences como um aparelho de tevê. Imediatamente, pediu para ligar para o pai dele, que estava em Belo Horizonte, para comunicar a soltura.

Fabiano Bastos acredita que até o final dos trabalhos da Força Nacional esta semana, o número de assistidos em liberdade pode chegar em torno de 20 pessoas. “Até o fim da semana passada, em mil processos analisados, 44% deles tinham benefícios vencidos como progressão de regime, livramento condicional, indulto etc. Ou seja, todos esses benefícios que são previstos pela lei de execução penal”, declarou.

Mais Defensores da Força Nacional falam sobre os trabalhos em Neves

Os Defensores Públicos, atuantes na área e Execução Penal, que estão unindo esforços para desafogar o sistema carcerário das unidades prisionais de Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, numa parceria federativa solidária, vêm constatando as diferenças, entre os Estados, na condução dos processos e das apurações das faltas dos apenados. É positiva e unânime a avaliação da troca de experiências que a Força Nacional vem proporcionando a cada Defensor, individualmente, assim como é explícita a seriedade com que todos esses voluntários têm encarado a árdua tarefa de rever os milhares de processos naquela Comarca de Minas Gerais.

Conheça a opinião de outro tanto de Defensores Públicos sobre a atuação em Ribeirão das Neves.

RENATA TAVARES DA COSTA BESSA – RIO DE JANEIRO

“É legal trabalhar com a diferença de vários defensores juntos. Os processos são um pouco complicados porque não têm cálculos. A gente está acostumada, lá no Rio, com processos que vêm com cálculos discriminados, mas, alguns promotores e juízes daqui têm opiniões bem mais legais que os do Rio e isto facilita um pouco o trabalho. O resto tá legal. O único problema pra mim é a falta de cálculo. Mas, essas diferenças também são importantes também para a gente incorporar uma nova visão. Estávamos discutindo, agora, a questão das faltas disciplinares, por exemplo, que, no Rio, elas são só administrativas e o juiz quase nunca quer rever as faltas administrativas. Aqui não, falta disciplinar é só quando o juiz reconhece como tal. E o bom de tudo isso é que a gente entenda a diferença e não que tenha de fazer a mesma coisa.”



ANA PAULA TÁVORA NEVES – JUIZ DE FORA/MG

“Eu estou achando ótima essa troca de experiências com outros Estados; são realidades diferentes e com esse encontro a gente só cresce. Fora que a gente está ajudando esta população tão carente da Comarca de Ribeirão das Neves. São muitos processos em atraso, muitos sem a devida apreciação judicial. A demora na apreciação aqui na Comarca é muito grande. Então, a gente está tentando mudar esta realidade. Este é o objetivo da Defensoria.”


MARIA APARECIDA COÊLHO – JUIZ DE FORA/MG

“O trabalho está sendo muito profícuo, muitos prontuários estão sendo analisados por dia e verificadas muitas irregularidades, como diversos benefícios já vencidos, presos com pena já cumprida e ainda encarcerados. A interação com Defensores de outros Estados é algo que emociona, porque se observam diversos sotaques neste País de dimensão continental, e mostra o quanto os Defensores são aguerridos, dedicados e amam sua função.”


DANILO KAZUO MACHADO MIYAZAKI – SÃO PAULO

“O trabalho está muito interessante, acrescentando muita informação e a gente está podendo identificar bastante problemas. A organização do processo aqui é muito complicada. Em São Paulo, cada incidente de execução é colocado em um apêndice separado, aqui é tudo junto. Dificulta muito a colheita de informações e as folhas de antecedentes daqui tmabém têm pouca informação. A gente gasta muito tempo procurando informações que deveriam ser mais fáceis de serem localizadas. O andamento está bom, na medida em que todo mundo está se esforçando bastante. O pessoal está bastante engajado, mas o volume de trabalho é muito grande, mas esperamos que, se não alcançarmos a meta, pelo menos, cheguemos o mais próximo disso possível.”



FABIANA ANDRADE FERREIRA DA GAMA – RIO DE JANEIRO

“Achei a iniciativa muito importante. Está sendo muito enriquecedora esta experiência, essa troca de informações. Nós, do Rio de Janeiro, trabalhamos na Execução Penal já há dez anos, mas, mesmo assim, nós não nos consideramos suficientemente experientes para dispensar essa troca. Acho que pegar a experiência dos outros Estados, aproveitar a experiência positiva, verificar os pedidos que estão sendo exitosos em outros Estados e poder levar para o nosso Núcleo, está sendo muito legal. Todo mundo está dando o melhor de si. São muitos processos, são processos complicados e a situação está realmente muito precária, mas eu tenho certeza de que com a união das forças das Defensorias Públicas, a gente vai poder dar uma guinada importante.”


CARLOS ALBERTO DE FIGUEIREDO SILVA JÚNIOR – RIO DE JANEIRO

“Acho que o trabalho da Força Nacional está indo muito bem, na medida do possível, embora haja um esforço de adaptação da nossa parte, porque os processos do Rio de Janeiro são bem diferentes dos daqui. Mas acho que os resultados vão ser bem proveitosos para a Comarca, e também para nós, porque vamos dar bastante experiência nisso tudo, porque é uma realidade totalmente diferente. Esperamos levar esta experiência para outras Comarcas para revitalizar esta ideia da Força Nacional em Execução Penal. Os casos daqui não são diferentes dos nossos, apenas a forma de solucioná-los é bastante diferente da do Rio de Janeiro. Mas, já estamos adaptados. Não é nada que não dê para solucionar.”


FABRÍCIO PEREIRA QUINTANILHA – TAUBATÉ/SP

“Está um ótimo trabalho, haja vista que está havendo uma interação de todos os Estados e uma troca de experiências. E o mais importante: os processos da VEC de Ribeirão das Neves estão sendo todos manuseados por nós, Defensores; estão sendo liberados os pedidos já feitos pelos Defensores da Comarca; em virtude também do grande volume, novos pedidos sendo feitos, sendo avaliados cálculos de pena e tudo o que pode ser em benefício dos sentenciados. Haja vista que comunicações serão enviadas aos mesmos, nas referidas unidades prisionais. É um projeto de vanguarda das Defensorias Públicas Estaduais e da União, que vêm somar forças para o fim de ter um processo célere e, principalmente, efetuar o acesso à Justiça, em seu aspecto material.”


DERVAL COSTA FILHO – CEARÁ

“A Força Nacional da Defensoria Pública foi criada justamente para analisar processos, na área de execução penal, em cidades em que a população carcerária é muito grande e em que a quantidade de Defensores é limitada. Esta Força Nacional verifica a possibilidade de concessão de livramento condicional, progressão de regime, benefícios em geral para a população carcerária. Nós estamos analisando vários pedidos de quem já teve a concessão de um direito, ou seja, onde tem Defensoria Pública existe Democracia, existe o acesso à Justiça – esta é a grande função da Defensoria Pública – o Estado Democrático de Direito se firma, ainda mais, com o trabalho da Defensoria Pública. Por isso, cada dia que passa, ela deve ser fortalecida. Sobre a interação com Defensores de outros Estados, ela é fundamental. Cada Estado tem suas peculiaridades. Essa troca de informações só tem a acrescentar, para cada Defensor Público levar para o seu Estado uma forma de trabalhar diferente, de implementar outras questões processuais, questões de cidadania. A Defensoria Pública trabalha a questão processual, mas também a questão de educação popular jurídica para fazer com que a própria população consiga autonomia para lutar pelos seus próprios direitos.”


RAIMUNDO COSTA- SERGIPE

“Para mim, isto aqui é um momento histórico. A Defensoria inaugura uma prioridade da sua atuação nos presídios, onde realmente o cidadão revela a sua maior hipossuficiência, porque ele não tem condições de constituir advogado e não tem liberdade para se informar, nem para buscar seus direitos. Então, agora, a Defensoria ao invés de aguardar o assistido comparecer à Defensoria, ela vai em busca do assistido, em um dos seus ambientes mais propícios para o exercício da sua atividade, que são as penitenciárias. Cada Estado tem suas peculiaridades, mas essa troca de informações aqui é muito importante: primeiro, porque o objetivo é trocar ideias também, é somar os esforços e, com isso, a gente possa produzir mais em benefício da população carcerária.”


DANIEL MONTEIRO MENDES – CEARÁ

“O trabalho aqui realizado pela Força Nacional em Execução Penal não vai ter uma repercussão só local, mas nacional, tendo em vista que a Força Nacional representa um trabalho que reúne Defensores de todas as unidades da Federação, visando a regularização dos presos em situação irregular e, para isso, a gente conta aqui com o apoio da Defensoria local e, sobretudo, com o apoio da Defensoria Pública Nacional como um todo. Então, isso representa um fortalecimento da Defensoria Pública, de maneira geral. A conclusão que a gente deve chegar é que, além de ter que fortalecer a Defensoria, de um modo geral, e, se fortalecer, vai fortalecer também o direito dos hipossuficientes, aquelas pessoas que não têm condições de contratar um advogado particular, tanto na área penal, como é o caso, como na área cível. A Defensoria está sendo imprescindível aqui no Estado. Os casos encontrados aqui, geralmente, ocorrem em outros Estados, onde existem casos mais alarmantes, mas aqui, em Minas Gerais, existem casos emblemáticos, por exemplo, pena já cumprida etc. Nossa missão é averiguar esses casos e saná-los.”


FABRIZIO DE MORAIS BARROS MUSSOLIN – UBERABA/MG

“Como outros colegas já disseram, é uma coisa histórica que a gente está vivenciando aqui. Não só para os presos, porque é a primeira vez que acontece isso, em Ribeirão das Neves – no Brasil, não sei se tem precedente - da junção de Defensores Públicos do Brasil inteiro para a defesa dos direitos deles, para apreciação dos processos, muitos deles com os direitos já ultrapassados, não pedidos, então eu acho que não só pra eles é importante como para os Defensores, a troca de experiências. Nós não podemos ver a situação em outros Estados para melhorar a nossa atuação no Estado de origem. Eu acho que é extremamente importante, tem de ocorrer mais, não só em Minas Gerais, como no Brasil, para a gente poder dar direito para estas pessoas que têm os seus direitos negados, pessoas que não têm como procurar um advogado ou Defensor Público, porque estão segregados. Só tenho elogios a fazer. A experiência de outros Estados, principalmente os Estados mais garantidores, que têm o Direito mais avançado, como os do Sul do País, a gente vai aprendendo, vai trocando experiências.”


OLÍVIO DE SOUZA SANTOS – BRASÍLIA/ DF

“A interação é positiva. Muito bom. Efetiva o princípio da solidariedade, que é inerente ao Estado Democrático de Direito. Aqui é bastante diferente do Distrito Federal. Com o tempo, a gente vai pegando a sistemática do processo.”

Força Nacional frente a frente com os presos em Neves

A três dias do encerramento dos trabalhos em Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte, a Força Nacional da Defensoria Pública iniciou os contatos diretos com os detentos, para explicar a situação de cada um, verificada na análise dos processos, desde o começo da atuação em Minas Gerais, na segunda-feira, 19 de outubro.

Nesta quarta-feira (28/10), um grupo de vinte Defensores da Força Nacional atuou durante todo o dia no presídio Inspetor José Martinho Drumond, conversando com os detentos. Outro grupo de Defensores continuou o exame de um total de mais de cinco mil processos penais da Comarca, na sede da Defensoria local.

O coordenador-Geral da Força Nacional, Líbero Atheniense, explicou para a Imprensa que “agora é o trabalho primordial, que é levar o resultado da ação ao interno do estabelecimento prisional”. Segundo Líbero, este momento “distensiona todo o sistema prisional, ao informar para o preso que o acompanhamento processual dele está sendo feito, de forma transparente, com a indicação dos benefícios a que tem direito e previsão de todos os prazos”.

20% de casos incontroversos e 44% de benefícios vencidos

O Defensor Público-Geral de Minas, Belmar Azze Ramos divulgou os números parciais do trabalho, num levantamento feito até segunda-feira, dia 26. A Força Nacional constatou 94 (noventa e quatro) casos de prescrição e 107 casos de extinção de pena, totalizando 201 casos incontroversos, o que corresponde a cerca de 20 por cento dos processos analisados até aquela data. Outra constatação da Força Nacional: 44 por cento dos processos analisados até a última segunda-feira têm algum benefício vencido.

Além desses casos, dependentes de decisão judicial favorável, há 206 pedidos de livramento condicional, 199 de prisão domiciliar e 73 de indulto, que poderão trazer a soltura de 478 presos. Ao comentar o levantamento parcial dos trabalhos da FN, o DPG de Minas Gerais afirmou: “São números significativos que demonstram a necessidade de uma Defensoria forte, estruturada e atuante junto a cada Vara de Execução Criminal no Estado de Minas Gerais”

O Coordenador-Geral da Força Nacional foi mais além e comentou: “Isto é um dado estatístico que traz a prova de que o trabalho deve ser efetuado e renovado a cada VEC pelo Brasil afora”.

O Conselho Penitenciário de Minas Gerais se reuniu em sessão extraordinária nesta quarta-feira em Neves,para emitir parecer sobre os pedidos de indulto e comutação, elaborados pela Força Nacional.

Ascom / DPMG

Governo de Minas recebe Força Nacional da Defensoria Pública

Repórteres da Secretaria de Comunicação do Governo de Minas filmaram as visitas dos Defensores Públicos aos detentos de Ribeirão das Neves. Veja a matéria da Agência Minas:




Ouça aqui matéria para rádio produzida pela Agência Minas.

Deputadas acompanham de perto os trabalhos da Força Nacional em Neves



As Deputadas Estaduais Gláucia Brandão e Rosângela Reis estiveram em Ribeirão das Neves, nesta semana, a convite do Defensor Público-Geral, Belmar Azze Ramos, para ver “in loco” a ação do primeiro grupo de atuação da Força Nacional da Defensoria Pública em Execução Penal. A TV Assembleia acompanhou a visita das Deputadas à base especialmente montada para análise dos processos e, depois, ao Presídio Antonio Dutra Ladeira, onde os Defensores da Força cumpriram mais uma etapa de contato direto com os detentos, explicando, pessoalmente, a situação de cada um.

A Deputada Rosângela Reis, que é a Presidente da Frente Parlamentar de Apoio à Defensoria Pública de Minas Gerais, comentou: “É muito importante este trabalho da Força Nacional para agilizar os processos que estão agarrados há muito tempo. Mas é importante, também, a continuidade deste monitoramento, para que sejam minimizados os problemas verificados com os processos acumulados. Eles têm que ser julgados o mais rápido possível”.

A Deputada Gláucia Brandão, que tem sua principal base eleitoral em Neves, onde mora, perguntou “o que os Poderes Legislativo e Executivo podem fazer para ajudar o Poder Judiciário nos seus gargalos”. A Deputada comentou os excessos de prazo de prisão constatados pela Força Nacional em Minas, lembrando que isto traz prejuízo duplo para o Estado: “Além do custo de manutenção do preso, depois ele vai atrás de uma indenização”, afirmou.

O Presidente da Subseção da OAB de Ribeirão das Neves, José Alexandre da Costa, também acompanhou a visita das Deputadas. O advogado relatou as deficiências do sistema prisional na Comarca, segundo ele, “de estrutura de um modo geral, de pessoal, juízes, promotores e defensores”. E concluiu: “Neves é uma das cidades de Minas que têm mais presídios e menos atendimento. A gente lamenta muito isto”.

O Defensor-Geral, Belmar Azze Ramos, explicou para os visitantes que a situação mais crítica do Estado, no que se refere à Execução Penal, está em Neves: “Nós temos que ter um olhar diferenciado para Ribeirão das Neves, solucionando esta questão, senão de vez, mas pelo menos em parte, para que nós não tenhamos que voltar com a Força Nacional no ano que vem. Por isto precisamos de uma Defensoria estruturada, forte e atuante”.

Discursos no encerramento da Força Nacional


DEFENSORA PAULA REGINA FONTE BOA PINTO, REPRESENTANTE DO GAEP: “Boa-noite! Quero cumprimentar o Defensor Público Geral e a todos os presentes e quebrar o protocolo de uma vez para agradecer mesmo empenho de vocês e dizer que esse trabalho foi muito bacana pela troca de muita experiência. Um trabalho que fortaleceu a todos nós, enquanto profissionais, Defensores Públicos que somos. Fizemos muitos amigos e tomara que a gente continue com essa interlocução mantida aqui, independente de ficarmos juntos. É preciso que a gente mantenha um cadastro para continuarmos a manter contato. Isso é super importante. Quero ser breve e agradecer o carinho de vocês. Foi muito legal trabalhar com todos vocês mesmo. Todos muito gentis, compreendendo muito o que estava realmente acontecendo. Foi muito legal! Muito obrigada.”

DEFENSOR EDUARDO CAVALLIERI, REPRESENTANTE DA ADEP-MG: “Boa-noite! Gostaria de cumprimentar a todos os presentes na pessoa do Dr. Belmar, Defensor Público Geral de Minas Gerais. É uma satisfação muito grande poder constar com os colegas de vários Estados do Brasil que vieram nos auxiliar numa tarefa assim tão árdua. Foi uma grande demonstração de solidariedade. Nós, Defensores Públicos, esperamos que a Defensoria Pública se fortaleça mais, não só para que possamos atender nossos assistidos, mas também possamos contribuir de alguma forma toda essa solidariedade que nos tem sido oferecida. Gostaria de parabenizar a iniciativa do CONDEGE, da Defensoria Pública de Minas Gerais, da Associação Nacional dos Defensores Públicos também, do Ministério da Justiça e agradecer também a colaboração do SESC e dizer que a Associação apoiou a iniciativa. E dado o adiantado da hora, devo encerrar. Muito obrigado.”

COORDENADOR GERAL DA FORÇA NACIONAL, SUBDEFENSOR PÚBLICO-GERAL DO RIO DE JANEIRO, LÍBERO ATHENIENSE: “Dr. Belmar, Defensor Público-Geral de Minas Gerais, gostaria de cumprimentar todos os colegas que participam da atuação, na pessoa da Dra. Marina, e do Dr. Américo, voluntário, Defensor Público de Classe Especial, esse voluntário desde que marcou a Força Nacional. Também vou ser breve porque o pessoal está muito cansado, muito desgastado, mas não tem ninguém desanimado. Todos nós saímos muito animados desse empreendimento, que foi uma missão histórica. Eu volto a minha palavra na cerimônia de abertura, neste mesmo local, quando eu fiz uma citação musical e cada um de nós saberia, naquele momento a dor e endereço de ser o que é o trabalho na Execução Penal, e hoje a gente sabe um pouquinho mais da dor e também da alegria.

Lá, no Rio de Janeiro, a gente tem uma máxima que vigora na Defensoria Pública, que diz o seguinte: A Holanda está para os holandeses assim como a Defensoria está para os Defensores. Isto pode parecer uma coisa boba, se não fosse da lavra de um Defensor filósofo como Humberto de Moraes. A Holanda é um dos países baixos da Europa, que conquistou e permaneceu com seu território incólume à custa do trabalho de seu povo. Com represamento, com rios, com construções e esse território, para o povo holandês, é a sua história. E assim é a Defensoria Pública: nosso território, nossa história foi feita com o suor, muito suor, com sangue, e com as lágrimas de cada um de nós, nesse tempo e nessa condição histórica. Mas, tem mais efeito nessas citações musicais, parafraseando o poeta, cada Defensor tem de ir aonde o povo está. E nada mais é a cara da gente do que ir às unidades prisionais porque é lá que o povo está confinado e esquecido e, de certa forma, com determinados pensamentos que vigoram hoje com relação ao recrudescimento da política criminal e à progressão avulsa e só tem na Defensoria Pública a última, a única instância talvez de modo a informar. Isso a gente demonstrou aqui, com a consolidação da Força Nacional. Nós devemos ter consciência do que representamos neste exato momento. Os Defensores Públicos, com a primeira atuação da Força Nacional, estão fazendo história. A gente tem de agradecer e eu agradeço na presença do Dr. Rodrigo e da Dra. Carmem, os coordenadores executivos da Força Nacional. E vocês fiquem certos que a semente aqui plantada vai ser uma frondosa árvore no futuro. Muito obrigado a todos.

DEFENSOR PÚBLICO-GERAL DE MINAS GERAIS, BELMAR AZZE RAMOS: “Vou ser breve também, em razão não só ao adiantado da hora, mas também pelo visível cansaço estampado nos rostos de todos vocês. Reza o protocolo que eventos deste quilate, nós temos que pronunciar umas palavras-chave de agradecimentos a todos vocês por tudo o que fizeram pela Defensoria de Minas, pelos assistidos de Minas - que estão lá encarcerados, como disse o Dr. Líbero -, por toda essa dedicação, por essa entrega mesmo, afastados do convívio familiar, de seus lares, de suas cidades, de seus Estados, estarem aqui contribuindo cada um para a construção de uma nova Defensoria no Estado de Minas Gerais. Para mim, como reconhecimento do trabalho, o que ele representa para a construção desta nova Instituição, desta esta nova identidade institucional da Defensoria, não só de Minas mas, em razão dos acontecimentos recentes, da operação na nossa região, da Defensoria como toda Defensoria do Brasil. Poderíamos falar da dedicação de cada um, do sofrimento de cada um, que nós sabemos que isso existe. Para algum, é mais um dia de martírio, para nós é menos um dia de atuação, de revisão, de peticionamento. Nós tínhamos a preocupação de passar a régua, limpar a área naquela VEC, pelo menos, esse era o compromisso que nós tínhamos assumido, de manifestar em todos os autos que foram enviados para a Defensoria. E nós saímos daqui de cabeça erguida. Nós concluímos, nós cumprimos a nossa missão.

Eu queria falar um pouquinho de cada um de vocês, eu queria ter tido a oportunidade de conhecer, de conversar com cada um, mas o tempo era praticamente absorvido naquela análise de processos. Mesmo assim, houve um tempo, uma oportunidade para conversarmos um pouquinho. Poderia falar das lembranças que estamos entregando agora para vocês, para vocês levarem para suas cidades, seus Estados. É um pouquinho de Minas que, não obstante todas essas dificuldades que vocês encontraram, é um Estado grande de coração, que os acolheu de uma forma muito fraternal e carinhosa. A forma carinhosa com que muitos de vocês procuraram aquele material de divulgação de todo acontecimento da Força Nacional, não só da chegada de vocês, mas daqueles momentos que a antecederam, e poucos sabem como foram momentos tormentosos, dolorosos. Mas, aquelas notícias, aquelas fotos são manifestações que vocês vão levar. Essas lembranças, lembranças bonitas de tudo o que vocês construíram nestes dias que estiveram aqui. Nós nunca vamos esquecer a participação e a presença de cada um de vocês aqui no Estado de Minas Gerais. Muito obrigado a todos, sinceramente.