segunda-feira, 24 de maio de 2010

DEFENSORIA PÚBLICA: INSTITUIÇÃO ESSENCIAL À JUSTIÇA E GARANTIDORA DA PAZ SOCIAL - ARTIGO DE ROGÉRIO FAVRETO

Ao longo dos últimos anos nota-se grandes avanços na busca pela democratização do acesso à Justiça, fruto do fortalecimento das instituições que compõe o Sistema de Justiça e do amadurecimento de políticas voltadas à garantia dos direitos humanos.

Fortalecer a Defensoria Pública com o objetivo de democratizar o acesso à Justiça é uma das metas do II Pacto Republicano de Estado — por um sistema de Justiça mais acessível, ágil e efetivo — articulado pela Secretaria de Reforma do Judiciário e assinado em abril de 2008 pelos chefes dos três poderes da República.

Além disso, mencionamos que a importância da Defensoria para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária também foi reconhecida na I Conferência Nacional de Segurança Pública, realizada no mês de agosto de 2008, ao aprovar a diretriz de fortalecimento da instituição como instrumento viabilizador do acesso universal à Justiça e defesa das pessoas carentes.

A nova Lei Orgânica da Defensoria Pública (Lei 132/09), de iniciativa do Governo Lula e aprovada pelo Congresso Nacional, representa a consolidação de um padrão de alta qualidade da instituição, por meio de sua atuação descentralizada e prioritária nas regiões com maiores índices de exclusão social e adensamento populacional.

O texto prevê, dentre outras inovações, uma questão central, que é a descentralização da Defensoria, ao dispor que a Defensoria Pública dos Estados poderá atuar por intermédio de núcleos ou núcleos especializados, dando-se prioridade, de todo modo, às regiões com maiores índices de exclusão social e adensamento populacional.

Dentre outras inúmeras inovações, contemplou ainda a possibilidade de atuação extrajudicial da Defensoria Pública, por meio da adoção de políticas de prevenção e solução alternativa de conflitos. Esta revisão legislativa amplia as funções institucionais, moderniza e democratiza a gestão da Defensoria Pública, contribuindo de modo significativo para a emancipação social do povo brasileiro.

Para avaliar os avanços da instituição, mapear os obstáculos e orientar as futuras reformas e políticas públicas, a Secretaria de Reforma do Judiciário elaborou o III Diagnóstico da Defensoria Pública no Brasil.

Os dados obtidos confirmam a tendência de evolução na estrutura da instituição e demonstram a importância da Defensoria Pública para a população, a exemplo do número de atendimentos que aumentou 45,17% entre os anos de 2006 a 2008, mesmo que neste período o número de defensores tenha crescido apenas 4,48%.

Estes e outros dados também servem para sensibilizar os Estados da federação sobre a necessidade de maiores investimentos e ampliação dos quadros de defensores públicos, já que a média nacional é de um defensor para 32.044 cidadãos, considerando apenas o público alvo que recebe até 3 salários mínimos.

Por isso, a distribuição nacional nas comarcas ainda é baixa – 42,72%. No RS, por exemplo, os 357 defensores atendem 87% das comarcas, sendo necessário mais 150 para cobertura integral, conforme estimativa da instituição.

A garantia de uma Defensoria Pública forte e ativa exige medidas afirmativas de efetivação das reformas normativas. Nesse sentido, o Ministério da Justiça priorizou a concepção e aplicação de políticas públicas voltadas à estruturação da Defensoria Pública por intermédio do PRONASCI – Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania, com ações como “Assistência Jurídica Integral ao Preso e seus familiares”, “Efetivação da Lei Maria da Penha” e “Justiça Comunitária”.

Na implementação destas ações foram investidos R$ 20.252.653,96 em 2008/2009, contemplando a Defensoria Pública de 17 estados, Distrito Federal e da União, com a previsão de que mais 500 mil pessoas sejam beneficiadas pelos atendimentos dos defensores públicos. Estas políticas públicas do PRONASCI foram avaliadas como “boas ou ótimas” por 96% dos dirigentes da instituição.

Como desdobramento da Ação de Assistência Jurídica aos Presos, Presas e seus Familiares, em 12 de agosto de 2009 foi instituída a Força Nacional da Defensoria Pública em Execução Penal, por meio de uma união de esforços entre a Secretaria de Reforma do Judiciário e Departamento Penitenciário Nacional do Ministério da Justiça, o Conselho Nacional dos Defensores Públicos Gerais e a Defensoria Pública da União.

Trata-se de uma parceria que tem por finalidade prestar, quando requisitada, em todas as Unidades do Sistema Penitenciário Brasileiro, assistência jurídica e tutela dos direitos dos presos e presas provisórios, definitivos e internados que não possuam condições financeiras de constituir um advogado, otimizando o trabalho já desenvolvido pela Defensoria Pública do respectivo Estado ou suprindo a falta desta.

A primeira atuação da Força Nacional da Defensoria Pública em Execução Penal, que conta com um cadastro de 336 Defensores Públicos voluntários de todo o Brasil, ocorreu no Estado de Minas de Gerais no período entre 19 e 30 de outubro de 2009 e contou com a atuação de 42 Defensores Públicos.

Para essa atividade inicial foi escolhido o complexo penitenciário de Ribeirão das Neves, que é formado por 05 (cinco) Unidades Penitenciárias e, segundo levantamento de 1º de setembro de 2009, apresenta 5.148 pessoas encarceradas, entre presos e presas definitivos e provisórios.

Durante a atividade foram analisados 3.232 processos, com 3.816 atendimentos aos internos e realizados 9.781 prestações jurídicas. Dentre as prestações jurídicas foram constatados 139 casos de Prescrições, 130 casos de Extinção de Pena, 243 pedidos de livramento condicional e constatou-se ainda que 43% dos processos analisados têm algum benefício vencido. Segundo o relatório apresentado pela Defensoria Pública de Minas Gerais em janeiro de 2010, dos benefícios requeridos apenas 15% (quinze por cento) foram decididos, sendo destes 91% (noventa e um por cento) foram julgados procedentes.

A segunda atividade da Força Nacional foi realizada na cidade de Recife/PE, no período de 07 a 18 de dezembro de 2009 e teve a participação de 30 Defensores Públicos. O Estado de Pernambuco conta atualmente com 17 Unidades Prisionais e há 19.525 presos, sendo destes 12.992 provisionados.

Durante a atividade foram analisados 1.087 processos, sendo realizados 1.619 prestações jurídicas, sendo constatados 315 casos de Progressões para o regime semi aberto, 62 casos de Extinção de Pena, 149 pedidos de livramento condicional. Segundo informações da Coordenação Geral da Força Nacional 100% (cem por cento) dos pedidos foram deferidos.

Para o ano de 2010 estão previstas 6 (seis) atuações da Força Nacional da Defensoria Pública em Execução Penal.

A ação da Força é um desafio de extrema importância para superação das dificuldades do sistema carcerário brasileiro, na medida em que a atuação voluntária e complementar desses abnegados Defensores Públicos amplia o acesso à justiça para a população carcerária hipossuficiente.

Nesse dia nacional da Defensoria Pública parabenizo os Defensores Públicos por seu esforço na defesa dos direitos da população mais necessitada do Brasil e ratifico o nosso compromisso pela promoção de uma Defensoria Pública forte e estruturada em todos os estados do país.

Rogério Favreto é Secretário de Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça

Fonte: ANADEP

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Criação da DPE/SC é tema de mais uma reunião do Condege

Integrantes do Conselho Nacional de Defensores Públicos-Gerais (Condege) se reúnem, nesta quinta e sexta-feira, em Florianópolis, para definir o conteúdo e decidir pela aprovação da Carta de Santa Catarina. O objetivo do documento é incentivar as autoridades locais a implantar a Defensoria Pública do estado e mostrar a sua importância para a garantia dos direitos daqueles que precisam de assistência jurídica gratuita. Atualmente, Paraná e Goiás também não possuem Defensorias Públicas estaduais.

Durante o encontro, movimento local pela criação da DPE/SC será apresentado para agilizar junto ao governo estadual políticas públicas para a instalação da Instituição. Os integrantes do Condege participarão ainda de visita institucional ao Presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, ocasião em que eles vão apresentar aos membros da Casa a necessidade de implantação da Defensoria Pública estadual. O Subdefensor Público-Geral Federal, Leonardo Lorea Mattar, e o Defensor Público-Chefe da Defensoria Pública da União em Santa Catarina (DPU/SC), André Dias Pereira, farão parte da visita.

Comissão do Conselho também discutirá a promoção da Força Nacional da Defensoria Pública em Execução Penal no estado. Para debater o assunto, estarão presentes o Corregedor do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, Julio Machado de Melo; o membro da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do estado, Deputado Pedro Uczai; o Presidente da Comissão de Direitos Humanos do Condege, Antônio José Maffezoli Leite; e o Coordenador do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), Eduardo Machado Dias.

Entre os pontos defendidos pelos membros da Comissão, estão a regulamentação do plantão criminal; a "meta zero" de presos em delegacias; a intensificação da assistência jurídica aos detentos; a manutenção de Defensores Públicos nas Comarcas e Varas Criminais; e a criação de estrutura para o recebimento de flagrantes, de forma ininterrupta, em todas as Defensorias Públicas estaduais e nas unidades da DPU.

Nesses dois dias de encontro, os integrantes do Condege vão discutir ainda a atuação do Conselho no próximo Congresso Nacional de Penas e Medidas Alternativas (Conepa), assim como a apreciação da proposta para a realização da Semana Nacional da Defensoria Pública.

Fonte: Comunicação Social DPGU

quarta-feira, 3 de março de 2010

DPGU SEDIA REUNIÃO DA COMISSÃO DE EXECUÇÃO PENAL DO CONDEGE

Integrantes da Comissão de Execução Penal do Conselho Nacional de Defensores Públicos Gerais (Condege) se reuniram na sede da Defensoria Pública-Geral da União, em Brasília, para discutir e propor novas ações para Força Nacional da Defensoria Pública em Execução Penal nos estados, na última quarta-feira (24/02).

A 1ª reunião anual de 2010 da Comissão contou com a participação do Coordenador da Força Nacional em Execução Penal e representante do Condege, Libero Atheniense, além dos Defensores Públicos José Adaumir Arruda da Silva (PA), Rafson Ximenes (BA), José Lino Fonteles da Silveira (CE), Aldy Mello de Araújo Filho (MA), Maurina Jacome Santana (TO) e Fabiano Bastos (MG).

Entre os pontos discutidos no encontro, estão as resoluções 66, 71 e 96 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que tratam respectivamente do acompanhamento de prisão provisória, do regime de plantão judiciário e do projeto Começar de Novo.

Os participantes sugeriram ao Condege que recomende aos Defensores Públicos Gerais a criação de estrutura para o recebimento de flagrantes de forma ininterrupta em todas as Defensorias Públicas Estaduais e também nas Unidades da Defensoria Pública da União. Sugeriram ainda a regulamentação do plantão criminal em toda a Defensoria Pública e também a inserção da Instituição no projeto Começar de Novo.

Durante a reunião, os Defensores Públicos destacaram também a meta "zero" de presos em delegacias, a intensificação da assistência jurídica aos detentos e a manutenção de Defensores Públicos nas Comarcas e Varas Criminais, com o objetivo de reduzir o número de presos provisórios para julgamento.

"A Força Nacional da Defensoria Pública é o maior movimento de atuação político-institucional especializado na história contemporânea", afirmou o coordenador da Força Nacional em Execução Penal, Libero Atheniense.

Nos dias 25 e 26 de março, reuniões preparatórias vão discutir, em Florianópolis, as formas de viabilizar a atuação da Força Nacional em Santa Catarina.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social da DPGU

DEFENSORIA CONCEDE ENTREVISTA À RÁDIO ITATIAIA SOBRE RESULTADO DA FORÇA NACIONAL EM EXECUÇÃO PENAL

A ação dos Defensores de todo país em Ribeirão das Neves, durante a primeira atuação da Força Nacional da Defensoria Pública em Execução Penal ainda rende espaço na mídia. A Defensora Marina Lage, do Gaep, concedeu entrevista à Rádio Itatiaia sobre o relatório final da atuação. Ouça na íntegra:

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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Vice-Presidente da República, José Alencar, parabeniza Defensoria Pública pela atuação da Força Nacional em Pernambuco

Após receber o material informativo sobre o trabalho da Força Nacional da Defensoria Pública em Execução Penal em Pernambuco, o Vice-Presidente da República, José Alencar, por meio de telegrama endereçado a Defensora Pública Geral, Tereza Joacy Gomes de Melo, parabenizou a atuação da equipe no Estado. "Cumprimento pelo trabalho em prol da cidadania", destacou José Alencar.

A Força Nacional da Defensoria Pública em Execução atuou em Pernambuco com 30 Defensores Públicos, procedentes de diversos Estados da Federação, incluindo os de Pernambuco, centralizados em Recife. Durante a ação, realizaram inspeções em diversos presídios do Estado, no período de 7 a 18 de dezembro de 2009.

Foram doze dias de movimentação no Fórum Rodolfo Aureliano, na Capital pernambucana. O material foi elaborado pela Assessoria de Imprensa da Defensoria Pública de Pernambuco em parceria com a de Minas Gerais.

Fonte: Assessoria de Imprensa da Defensoria Pública de Pernambuco

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

GAEP DIVULGA RELATÓRIO DE RESULTADOS DA PRIMEIRA ATUAÇÃO DA FORÇA NACIONAL DA DEFENSORIA PÚBLICA EM EXECUÇÃO PENAL

O Grupo de Atuação Estratégica na Defesa da População Carcerária-GAEP divulgou o Relatório de Resultados da 1ª Força Nacional da Defensoria Pública em Execução Penal, realizada na Comarca de Ribeirão das Neves, no período de 19 a 30 de outubro de 2009. Foram analisados os 3.232 processos disponibilizados pela Vara de Execução Penal daquela Comarca. O Relatório revela que em 43% dos processos analisados registravam algum benefícios legal vencido.

A expectativa com a atuação da Força Nacional, instalada em Ribeirão das Neves, foi justamente desafogar o sistema prisional da Comarca, que conta com cinco unidades prisionais: Presídio Inspetor José Martinho Drumond, Presídio Antônio Dutra Ladeira, Penitenciária José Maria Alkimim, Presídio Feminino José Abranches Gonçalves e o Centro de Apoio Médico e Pericial.

O Relatório apresenta um diagnóstico da movimentação processual dos pedidos formulados pela Força Nacional. A pesquisa foi realizada no site do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, no período do recesso forense. Os dados apontam que 48% dos processos que tiveram benefícios legais pleiteados pela Força Nacional, em prol dos sentenciados presos, estavam paralisados em secretaria, até a data da conclusão do Relatório. Desses benefícios requeridos apenas 15% foram decididos, com 91% de procedência.

Nos Presídios Inspetor José Martinho Drumond e Antônio Dutra Ladeira, os Defensores Públicos da Força Nacional constataram situações que exigem pronta intervenção dos atores que compõem o Sistema de Justiça e de Defesa Social, razão pela qual a Defensoria já requereu a instauração de procedimento judicial especial para tais casos. Por outro lado, o Presídio Feminino José Abranches Gonçalves apresentou condições adequadas de custódia.

Força Nacional gera economia

O Relatório também mostra que, até a primeira semana de janeiro, 56 alvarás de soltura haviam sido expedidos e 33 livramentos condicionais concedidos. Dado o cumprimento dos alvarás, haverá uma economia de aproximadamente R$200 mil para o Estado, considerando o gasto diário por preso aos cofres estaduais em R$74,63.

Estruturar as instituições para concretizar os direitos

Ao final do Relatório de Resultados da atuação Força Nacional, em Ribeirão das Neves, constatou-se que a metade dos pedidos elaborados ainda não haviam sido movimentados pelo Juízo da Execução Penal. A Defensoria Pública conclui que a efetividade do Sistema de Justiça depende da estruturação das instituições que o compõem (Defensoria Pública, Ministério Público e Poder Judiciário), para concretizar os direitos e garantias fundamentais da pessoa privada de liberdade.

Leia em anexo - relatório

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

FORÇA NACIONAL EM EXECUÇÃO PENAL: DEFENSOR DE MINAS RELATA SITUAÇÃO DE PRESO PROVISÓRIO EM PERNAMBUCO

"Dura realidade. De volta a Uberaba, após duas semanas no Recife integrando força tarefa nacional de Execução Penal, o defensor público Fabrizio Mussolin faz relato assustador do que viu nos presídios daquela capital. Lá o preso provisório espera oito meses para o primeiro contato com o juiz de seu processo, diz, revelando que Recife tem uma defensora pública atuando na Execução Penal para atender 11.000 apenados.

Entaladas. No presídio feminino de Recife, Frabrizio se deparou com precariedade como fossa aberta e superlotação maior justamente no presídio feminino. Cada cela construída para receber quatro presas, tinha 19 mulheres presas."

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Fonte: Jornal da Manhã